– Moça! Moça!
Sacudindo o braço dela para ela acordar!
– Ãh! Oi! Que foi?????
– É que eu estou tendo uma crise de pânico, snif, snif…
– Quer que eu chame a comissária?
– Não, obrigada. Snif, snif. Só preciso que você me diga que vai ficar tudo bem. Que está tudo bem com esse avião.
A essa altura a pessoa já está segurando a minha mão, fazendo carinho e falando com uma voz mansa, que nem você fala com uma criança com medo.
– Calma, não fica assim, é só uma pequena turbulência. Não vai acontecer nada. Já, já passa.
Aí emenda…
– Avião é muito seguro. É o meio de transporte mais seguro que tem no mundo, blá, blá, bla…
Eu interrompo muito delicadamente.
– Snif. Eu só preciso que você me diga que vai ficar tudo bem.
Detalhe: tinha conversado um pouco com ela quando o avião ainda estava em terra. A morta de cansada estava vindo do outro lado do mundo é esse era o terceiro avião para chegar ao seu destino.
…
– Descupa! Desculpa!
Eu! Já com a mão no braço da pessoa que está do lado, depois de uma mexidinha!
…
No comecinho do avião, assim que você entra, sempre tem um ou dois comissários desejando bom dia, boa tarde, boa noite, seja bem vindo, etc.
– Bom dia (ou boa tarde, ou boa noite), tudo bem? Olha só, eu tenho medo de avião e estou sentindo que minha crise de pânico está começando. Será que você pode depois passar na minha poltrona para ver se eu estou bem?
E a fila de pessoas parada atrás de mim. Tento falar o mais baixo possível, mas sempre tem alguém que escuta. Os que já estão sentados também ficam olhando intrigados e curiosos.
– Qual sua poltrona? Passo sim. Mas não fica assim, não vai acontecer nada, avião é o meio de transporte mais… blá, blá,blá…
– É pânico! Não raciocínio assim.
Já seguindo para a minha poltrona e agradecendo.
…
Bem no fundo do avião, naquela parte que parece uma cozinha, uma comissária sente um leve tapinha nos ombros.
– Excuse me! Snif, snif, snif, snif…
Se virou e deu de cara com uma pessoa debulhada em lágrimas e já soluçando. Largou tudo para me dar atenção.
– What’s the matter dear?
– Can you please help me? I am having a panic attack and need you to tell me everything is going to be alright.
Pegou na minha mão e sentou-se comigo naquela última poltrona do avião.
– You have no reason to be afraid of. Everything is alright. Airplanes are the most safe… blah,blah, blah…
– Snif, thank you, Snif, I just need you to tell me there is nothing wrong and everything will be ok. Snif. Please!
– What’s wrong?
– Anxiety attack!
– Do you want oxygen?
– No, she will be fine!
Esse último diálogo foi entre a comissária que estava comigo e uma outra que estava passando e viu a cena.
Helloowooo! Ainda estou aqui, chorando, em pânicoooo!
Pronto. Depois de alguns minutos e muita atenção da comissária, me acalmo, paro de chorar, volto para a minha poltrona, tomo meu remédio e durmo.
Obrigada comissária Kate, você foi o máximo! Escrevi para a Delta e elogiei sua delicadeza e atenção, agradecendo.
…
Remédio???? Porque não tomou antes do pânico começar??? Você deve estar me perguntado! Lembra? Não há raciocínio!!!
Engraçado como o pânico deixa a gente completamente sem vergonha. NENHUMA!!!